Na Mídia

A música, a fotografia, o cinema e a comunicação.

Quando vou a uma exposição, vou aberta a conhecer um universo de histórias e com isso, ter minhas reflexões sobre o assunto.

Há mais de 100 anos, o mundo já tinha uma noção clara do poder do registro. Visitar a exposição do Titanic em Curitiba com o olhar de quem cria conteúdo, estudou fotografia e cinema, até mesmo moda e comportamento, é entender que a necessidade humana de documentar, contar histórias e imortalizar momentos não nasceu com as redes sociais como muitos acham. Ela vem desde os primeiros “achados” nas civilizações mais antigas e pelas minhas pesquisas. Segundo o site Pint of Science, foi por volta de 350 e 200 mil anos atrás e ainda complementam: “que desenvolvemos grandes habilidades como a linguagem de comunicação, as habilidades sociais de viver em grandes grupos, e a capacidade de acreditar em ideias puramente imaginárias, não naturais.”

Em 1912, as câmeras de época e os rolos de filmes já capturavam uma forma de viver que não existe mais. O cinema dava seus primeiros passos para criar histórias que marcariam gerações. Os jornais impressos cumpriam o papel de comunicar tudo, diferente de hoje que temos acesso em poucos segundos, eles levavam dias. O mundo não tinha pressa, não tinha urgência, ele apenas acontecia.

E a música... como sempre digo, sempre esteve presente nas nossas vidas. Na época, ela esteve em cada momento da viagem, inclusive enquanto o navio afundava, como uma “Dança com a morte” (Danse Macabre). Pensa comigo: ela começou nos jantares chiques da primeira classe e o pessoal dançando na terceira, mas no fim, virou a trilha sonora de todo mundo. Quando o navio começou a ir para o fundo e a banda continuou tocando no convés, não importava mais quem era rico ou quem era trabalhador. Ali, aquela música nivelou todo mundo diante do que era impossível evitar, mostrando o quanto a vida é frágil. Uma reflexão para os dias atuais.

Quando citei sobre a “Dança com a morte” ou “Danse Macabre“, é um termo existente e surgiu na Europa do final da Idade Média, principalmente após os acontecimentos da Peste Negra no século XIV, que lembrava a todos que a morte é inevitável e iguala ricos e pobres. Se você escuta bandas de metal, talvez você tenha até pensando na música Dance of Death do Iron Maiden.

Olhar para tudo isso hoje nos faz pensar: o que mudou de lá para cá? Óbvio, muitas coisas, inclusive a forma que vivemos. Mas falando sobre o tema de hoje, as ferramentas evoluíram e ficaram instantâneas, porém, a intenção central continua a mesma, a busca por registrar o tempo, de emocionar, (hoje de chocar, “de viralizar”) e o mais importante, não deixar a história se apagar.

Pode não parecer, mas pra mim foi uma aula de memória, arte e comunicação. Vão aos museus, leiam, interajam com a arte, pesquisem sobre qualquer coisa em fontes confiáveis, tenham repertório para poder ter conhecimento e pensamento crítico, independente do assunto.

📌 Exposição Titanic • Curitiba/PR

Alguns registros que fiz para essa reflexão.

Um beijo, Suh Dolenga

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